sexta-feira, 25 de abril de 2008

Respire... e Dance!!!

A respiração, que é o sopro sagrado da vida nos permite conhecer e mudar o ritmo de nossos passos e emoções, a percepção corporal e a forma que nos comunicamos, saber respirar traz maior consciência e controle dos movimentos que utilizamos ao dançar.

Precisamos de oxigênio para viver, a quantidade desse elemento em nossa corrente sanguínea, faz a diferença entre uma pessoa calma ou estressada. A calma vem de uma respiração profunda, lenta, rítmica e o stress de uma respiração instável e sem profundidade.

No yoga a respiração consciente nos ajuda a captar o PRANA (energia vital do universo) e tonifica o corpo para as posturas meditativas. Ao prestar atenção na respiração tendemos a nos acalmar e controlar melhor nossos pensamentos e sentimentos, nos permitindo entrar realmente num estado meditativo e alcançarmos outros níveis de consciência.

Ao dançarmos, também atingimos um nível de consciência diferente, uma vez que nossa consciência corporal é maior, a respiração atua como uma fonte de energia, alimentando nossa força e fôlego durante a dança. Respirar é algo tão mágico, que quando o fazemos corretamente conseguimos alinhar nossos chakras e aprendermos mais facilmente, além de que, exercitando uma respiração consciente diariamente conseguimos controlar e dosar nossas emoções e tensões, e ainda adquirir mais energia quando nos sentimos apáticos ou desesperançados.

Alguns exercícios respiratórios, PRANAYAMAS, do livro Ayurveda – o caminho da saúde, de Maria Inês Marino e Walkyria A. Giusti Dambry:

Exercício calmante:

* Esta técnica consiste em respirar por narinas alternadas. Obstrua a narina direita com o dedo polegar, inspirando pela esquerda. Segure a respiração com os pulmões cheios por al­guns instantes e troque a narina em atividade (troque a narina em atividade somente com os pulmões cheios). Volte a inspirar pela mesma narina que você expirou e continue repetindo por várias vezes.

Exercício refrescante:

* Inspira-se e expira-se através do nariz, com a glote parcial­mente fechada, para que o ar seja sentido no palato (céu da boca). Este exercício produz um efeito refrescante na parte atrás da garganta e é uma maneira eficiente de levar oxigénio aos pulmões. É interessante fazê-lo durante a ginástica, pois melhorará a resistência e a capacidade aeróbica.

Exercício energizante:

* Inspira-se pelo nariz passivamente e faz-se uma expiração vigorosa. A técnica compreende em contrair vigorosamente o diafragma para expirar o ar, é tido como um dos mais importantes exercícios de purificação, ajudando a eliminar as toxinas.
Recomenda-se fazer três séries de dez repetições, com um minuto de descanso entre as séries. Ocorrendo tonturas, reduz-se o número de repetições até ficar confortável.

* Significa a respiração do fole acelerado. Inspira-se pelo dia­fragma e faz-se uma expiração forçada pelo nariz. Ao fazer esse exercício, é importante manter o corpo todo relaxado, com exceção do diafragma. Começa-se com uma repetição por segun­do, aumentando o ritmo para duas por segundo, ao sentir-se confortável. Recomenda-se fazer uma série de quinze a vinte repetições. É normal ocorrer uma sensação de cabeça vazia ou zumbido nos ouvidos, caso em que se deve diminuir o número de repetições.
Ao terminar qualquer dessas técnicas de respiração, des­canse alguns momentos com os olhos fechados. Respire deva­gar e tranquilamente, permitindo que sua atenção fixe-se em suas sensações físicas. Esse período de repouso facilita a integração mente-corpo e meio ambiente, que se manifesta nos PRANAYAMAS.

Esses exercícios nos ajudam a conhecer nossa respiração. Na dança praticada, você pode criar exercícios próprios, como por exemplo, na dança do ventre o “oito para cima” dos quadris é mais fácil de fazer quando respiro pelo pulmão ou pelo diafragma? Nos movimentos de braços na dança cigana, tenho mais força quando encho os pulmões ao subir ou ao descer os braços? Assim, criamos mapas desses movimentos, sua respiração, que em conjunto com o ritmo e respiração da música escolhida transformam-se em Dança.

Dessa forma vamos aumentando a consciência de nossos movimentos, executando-os com a força e beleza necessárias para satisfazermo-nos e ao nosso público com o resultado, portanto: Respire... e Dance!!!

(Direitos reservados)

sábado, 12 de abril de 2008

A Dançarina

Certa vez, vieram para a corte do Príncipe de Burkasha uma dançarina e seus músicos. Tendo sido admitida na corte, ela dançou a música da flauta, do alaúde e da cítara.

Executou a dança das chamas e do fogo e a dança das lanças. Dançou as estrelas e o espaço e então ela dançou a dança das flores ao vento. Quando terminou, aproximou-se do príncipe e curvou o corpo em reverência diante dele.

O príncipe ordenou que ela se aproximasse e perguntou-lhe:

“Bela mulher, filha da graça e do encanto, de onde vem sua arte e o que é este seu poder ao comandar os elementos em seus ritmos e versos?”

E a dançarina aproximando-se, curvou mais uma vez o corpo em reverência e respondeu:

“Sua alteza, sereníssimo senhor, eu não sei a resposta para suas perguntas. Somente sei que a alma do filósofo habita sua mente, a alma do poeta habita seu coração, a alma do cantor habita sua garganta, mas a alma da dançarina habita todo o seu corpo.”

Khalíl Gibran

(A todos que adoram Khalíl Gibran e sabem que não há como descrever o que a Dança faz em nossas vidas, os dons que descobrimos, a beleza e a força que norteiam nosso caminhar!!!)

quinta-feira, 10 de abril de 2008

A Arte da Dança Cigana

A postura imponente dos ciganos ao dançar mostra como eles enfrentam a vida e orgulham-se do que são.

A cigana tem um lugar especial na dança, em muitas tribos ela garante o sustento dos seus com a sua arte, elas atraem a boa sorte para o grupo e a família...Com a cabeça levantada demonstra o poder de sua raça, o bater dos pés na terra clama a força desse elemento para bailar, as mãos para o alto pedem licença para exaltar a natureza, com a força feminina entrega-se ao ritual da dança e banha de beleza e mistério o espetáculo cigano. O barulho das moedas e pedras também tocam música no ritmo do rodopiar da cigana, as palmas e ralhos a envolvem e alimentam sua arte, que em forma de oração saúda os presentes na comunhão do sagrado e da alegria.

O cigano com seu ritmo forte e elegante atrai a atenção do grupo, é dele a responsabilidade da proteção, das aberturas dos caminhos de seu povo por estradas desconhecidas; no sapateado a busca da força e coragem; as mãos ao céu agradecem e recebem um sol de esperança; a força masculina se mostra e também reverencia a natureza.

Nos passos da vida, encontramos a Dança Cigana, envolvente e transformadora como o fogo; um coração pulsante no ritmo do vento; sábia e reveladora como o ar, de braços abertos buscando envolver um mundo inteiro; forte e poderosa como a terra; cristalina e mutável como a água, sem medo de demonstrar o amor à família, a eterna tristeza de tantas dores desnecessárias, o encantador sorriso da crença de um amanhã melhor, o brilho de lágrimas nos olhos profundos; um rito sagrado saudando a natureza que nos deu a vida.

Assim, nos contagiantes volteios dança-se aos pares, no ritmo do amor cigano troca-se forças, experiências, existências, finalmente completos na comunhão da vida. As crianças, continuação de nossos sonhos, e os velhos, detentores da sabedoria, tem lugar na roda e com o mesmo respeito são apreciados por tudo que são e serão.

Vamos palmear e nos entregar ao bailar gitano de nossos corações, no ritmo que a vida pedir vamos juntar as mãos e deixar que o som guie nosso corpo por novos caminhos; no ritmo sagrado da Dança Cigana fazer da liberdade de sonhar e realizar uma oração, uma dança única onde nos revitalizamos e descobrimos nossas forças e talentos para seguir sempre em frente, como fizeram e fazem os ciganos.

(Direitos reservados)

São nos passos da dança e da vida que descobrimos o significado de ser cigana, neste espaço compartilho um pouco da caminhada do meu povo, da sua arte e força que faz seguir em frente sempre...