terça-feira, 20 de maio de 2008

Um Encontro com o Universo Cigano


24 de maio - Dia Nacional do Cigano, no RJ

ENCONTRO COM O UNIVERSO CIGANO


Comemoração ao DIA NACIONAL DO CIGANO

Data: sábado, 24 de maio de 2008

Local: Lona de Circo Viver e Crescer

Praça Onze (em frente a estação do Metrô Praça Onze), Rio de Janeiro

Horário: a partir das 12h

Obs: entrada livre até às 18h, mediante apresentação da filipeta

PROGRAMAÇÃO

A partir das 12h - exposição de artesanato cigano E leituras oraculares (quiromancia, cartomancia cruzada, tarô cigano, baralho cigano, moedas, dados)

18:30h - projeção do fime-documentário "TARABATARA", de Julia Zakia. O filme retrata a convivência de quatro jovens durante três meses num acampamento calón, no sertão de Alagoas.

19h - "Roda saia gira vida" - espetáculo com o Teatro de Anônimo

20h - "Uma canção para Lorca" - com o ator José Mauro Brant, o qual estará encenando parte do seu espetáculo homônimo, cantando e recitando Garcia Lorca.

21h - "Dança flamenca": apresentação de Ruano de la Calle e Sumaya Sarran.

21:30h - "Encanto Cigano" - danças e músicas do grupo de Mio Vacite.

ENCONTRO COM O UNIVERSO CIGANO será um evento em homenagem ao Dia Nacional do Cigano, comemorado publicamente pela primeira vez no país, depois de instituído oficialmente em 2006, por decreto presidencial.

O evento ocorrerá a partir das 12h na Lona de Circo Crescer e Viver, localizada na Praça Onze (em frente a estação Praça Onze do Metrô) no Rio de Janeiro.

Embora conhecidos como alegres e festeiros, pesa sobre os assim chamados ciganos – este grande caleidoscópio étnico, uma longa história de incompreensões e adversidades, que datam desde o século XV, marcado por perseguições, preconceitos e intolerância. E, de sua cultura, o elemento que talvez mais os evidencia frente a sociedade gadjé (não-ciganos), é a sua resistência. Como diz Sir Agnus Fraser, na introdução de seu livro História do Povo Cigano (Teorema, 1997) – “ a história que vamos relatar é em grande medida a história do que outros fizeram para destruir a sua diferença – somos forçados a concluir que a sua maior proeza foi precisamente terem conseguido sobreviver”.

Muitas são as reivindicações das associações de cigano, pautadas basicamente no direito à cidadania: acesso à educação, à moradia, à facilitação na expedição de documentação, ao atendimento junto aos postos de saúde pública, entre outros. (ver maiores informações abaixo)

Histórico
Ciganos no Rio de Janeiro

Os primeiros ciganos a pisarem em solo brasileiro teriam sido João de Torres e a sua mulher Angelina, acompanhados dos filhos, vindo degredados de Portugal em 1574, por ordem de São Sebastião, unicamente pelo fato de serem ciganos. A partir de 1686, documentos históricos apontam para novas deportações de ciganos de Portugal, sendo que o Maranhão, Pernambuco e Bahia foram, inicialmente, as capitanias que receberam este povo. Em Minas Gerais, a partir do século XVIII, documentos históricos começam a registrar a presença de ciganos, assim como em São Paulo e Rio de Janeiro.

Relatos históricos nos contam que foi na atual Praça Tiradentes, denominado antigamente Campo dos Ciganos, e na Rua dos Ciganos, atual Rua da Constituição, é que os ciganos exerciam intensamente as suas atividades de comércio com animais, e no trabalho com metais, pois eram caldeireiros, ferreiros, latoeiros e ourives; e as mulheres, rezavam de quebranto e liam a sina.

A comitiva da família real portuguesa, vinda ao Brasil em 1808, era integrada por fidalgos como também por ciganos e, muitos destes, foram empregados em repartições públicas, onde foram contemplados com o cargo vitalício e hereditário de oficial de justiça. Em 1810, ciganos apresentaram-se na festa do casamento de uma filha de D. João VI com o infante espanhol D. Pedro Carlos, e sobre este evento escreve um viajante alemão:
“Os moços desta nação, trazendo à garupa suas noivas, entraram no circo montando belos cavalos ricamente ajaezados. Cada par pulou no chão, com incrível agilidade, e todos juntos, executaram os mais lindos bailados que eu jamais vira. Todos só tinham olhos para as jovens ciganas e os outros bailados que também executaram pareceram ter tido por único fim fazer sobressair os dos ciganos como os mais agradáveis”.
Alguns anos depois, no relato de Mello Morais Filho, por ocasião das bodas de D. Pedro I com a princesa D. Leopoldina em 1818, os ciganos foram mais uma vez convidados para alegrar a festa, e ao que tudo indica com enorme sucesso: “Os dançarinos são vitoriados: flores, fitas, aplausos, eles conquistam pela magia plangente de seus instrumentos, pela graça igual de suas danças. D. João VI, participando do agrado geral, fá-los vir à sua presença. Uma banda de música precede-os na maior ordem. Subindo ao pavilhão, dois camaristas trazem, estendidos num coxim de púrpura, os prêmios que lhes eram destinados: patentes militares aos homens e jóias às mulheres”.

Link - Decreto Presidencial instituindo o Dia Nacional do Cigano

https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2006/Dnn/Dnn10841.htm

MAIORES INFORMAÇÕES

Filme-documentário TARABATARA
Nas palavras de Julia Zakia, diretora do filme e atualmente residindo na Sérvia, "Tarabatara é um chamado ao cotidiano e aos encantos de uma família cigana do sertão de Alagoas, e apreende momentos de um período de pausa no nomadismo desses ciganos. Na figura do mais velho, “Seu” Francisco e suas memórias, nas mulheres e crianças do grupo, com suas falas e gestos, com seus olhares e afazeres, no dedilhar do violão e na música de amor sertanejo revelado com força no canto e no olhar do cantor.”
O projeto foi contemplado com o Prêmio Estímulo do Governo do Estado de São Paulo em 2006, tendo participado do Festival de Brasília e da Mostra É Tudo Verdade.

Uma canção para Lorca
José Mauro Brant, atuando como ator e cantor desde 1988, participou de mais de 40 produções, entre elas: “Theatro Musical Brazileiro”, de Luiz Antônio Martinez Correa, “Pianíssimo”, de Tim Rescala, “Metralha”, de Stella Miranda, “Dolores”, “A Ópera dos Três Vinténs” no CCBB, e “Deus Ex-máquina” de Gerald Thomas, “Federico Garcia Lorca – Pequeno Poema Infinito” , com roteiro em parceria com o diretor Antonio Gilbert, cujo espetáculo lhe rendeu a indicação para o Prêmio Shell 2007 – Categoria Melhor Ator.
.Ganhou o prêmio Mambembe de melhor ator por “Tuhu, o menino Villa Lobos”. Desde 1993 que pesquisa a linguagem cênica dos contadores de histórias e criou e produziu os espetáculos: “Contos, Cantos e Acalantos”; “Canção para Lorca” (no projeto “Lorca na Rua” do SESC SP); “Um Brasil de histórias” e “Solo de Amor”. Participou do festival internacional do conto em Tenerife (Espanha), além de apresentações no Kennedy Center em Washington DC (EUA), Expo 2000 em Hanover e Roma. Seu primeiro CD: “Cantos, Contos e Acalantos“, pelo selo “Biscoito Fino”, ganhou em 2003 o Prêmio Tim de Música de melhor CD Infantil. Em 2006, ganhou o prêmio “Rival/Petrobrás” de música brasileira na Categoria “Atitude”.Em 2004 lançou o livro “Enquanto o sono não vem”, pela ed. Rocco.

Danças Flamencas

SUMAYA SARRAN
A Dança Cigana é sagrada, dançar ao ritmo cigano não é apenas reproduzi-lo em movimentos, a dança é uma oração única, onde o bailarino tem a oportunidade de mostrar quem é, ou seja, seu ser, sentimentos, sonhos, a sabedoria que adquiriu em sua jornada e tudo que ainda busca, sua comunhão com a natureza e o sagrado, descobrir que faz parte de um todo divino chamado Universo. Além da tradição oral, típica dos ciganos, Sumaya Sarran buscou em pesquisas, concentrar um trabalho dinâmico com informações, exercícios de conscientização corporal e sensibilidade, vivências e espiritualidade, para através da dança ensinar e promover um maior contato das pessoas com a riqueza de sua ascendência. Sumaya também trabalha como estilista e costureira de roupas étnicas, trazendo a quem se interessa a beleza e o brilho do encanto das vestimentas ciganas.

RUANO DE LA CALLE
Expressando não só o ritmo, mas toda a história de uma etnia grandiosa – os Calon – Ruano de La Calle busca nos seus passos trazer a quem lhe assiste, a tradição, a beleza e a riqueza de inúmeras culturas concentradas, harmoniosamente, através de movimentos fortes e determinados, envolventes e insinuantes no que conhecemos com a Dança Cigana. Em sua dança é notória a influência de sua antecedência, traço individual, e jamais aprendido em qualquer escola que não a vida, a rua e a própria adversidade às quais os ciganos estão expostos. Além de dançarino e professor de Flamenco, Ruano pratica e ministra cursos de várias formas oraculares, visando a facilitar a seus clientes a compreensão dos seus processos internos, usando os oráculos como auxílio na busca de uma qualidade de vida melhor.

ENCANTO CIGANO
Violinista e diretor musical do Grupo Encanto Cigano, Vacite também preside a União Cigana do Brasil, entidade reconhecida como representante da cultura cigana no Brasil pela Internacional Roma Federation, INC que é filiada à ONU - Organização das Nações Unidas. Desde de sua fundação, em 1990, a União Cigana do Brasil vem lutando pela possibilidade de um desenvolvimento sustentável das famílias ciganas em consonância com as especificidades históricas e contemporâneas, garantindo os direitos à titulação e a permanência na terra, à documentação básica, alimentação, saúde, esporte, lazer, moradia adequada, trabalho, serviços de infra-estrutura e previdência social, entre outras políticas públicas destinadas à população brasileira.


REIVINDICAÇÕES DOS GRUPOS CIGANOS do BRASIL

Reprodução das 19 propostas específicas, que incluem os ciganos ou nômades, constantes no Anexo 1.1., do relatório final da 1ª CONAPIR - Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial – CONAPIR , realizada em Brasília entre 30 de junho a 2 de julho de 2005.
Disponível no site: www.presidencia.gov.br/seppir


Tema 1. Trabalho e Desenvolvimento Econômico.
[1].Garantir aposentadoria aos ciganos e ciganas que alcancem a idade necessária e que possam ter os mesmos direitos atualmente garantidos aos trabalhadores rurais pelo INSS.

Tema 2. Educação.
[2]. Promover campanhas educativas e a criação de cartilha relacionada à etnia cigana, com divulgação em escolas públicas municipais e estaduais; eliminar em materiais didáticos expressões que apresentem a etnia cigana de maneira difamatória e capacitar professores do ensino fundamental e médio para prevenir discriminações.

[3]. Estimular os estudos dos costumes dos ciganos nas universidades federais e estaduais nos cursos afins.

[4]. Criar uma escola específica que respeite e valorize a cultura cigana;

[5]. Criar uma escola móvel, itinerante, para alfabetização dos ciganos – crianças, adolescentes e adultos nômades.

[6]. Promover e criar cursos de alfabetização diferenciada às crianças ciganas, por meio de unidades móveis com programas e profissionais capacitados para uma alfabetização rápida, eficaz e bilíngüe.

[7]. Estimular a inclusão dos ciganos nos conselhos de educação.

[8]. Apoiar os estudos e pesquisas sobre a história, cultura e tradições da comunidade cigana – Ciganologia.

Tema 3. Saúde.
[9]. Garantir a presença de ginecologista mulher nas unidades móveis, para que as mulheres ciganas possam realizar seus exames preventivos e de pré-natal sem criar constrangimentos dentro de sua comunidade.

Tema 4. Diversidade cultural.
[10]. Incluir a cultura cigana no Decreto n.° 1.494, de 17/05/1995 (DOU 18/05/1995) que regulamenta a Lei n.° 8.313, de 23/12/1991, que estabelece a sistemática de execução do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac).

[11]. Desenvolver políticas e projetos de proteção ao patrimônio cultural cigano, considerando que seu conhecimento histórico, medicinal, das artes divinatórias e o respeito e preservação da ecologia fazem parte do conhecimento tradicional da etnia cigana, divulgando seu acúmulo de forma a combater estereótipos e resgatar suas tradições.

Tema 5. Direitos humanos e segurança pública.
[12]. Promover o mapeamento dos acampamentos ciganos(as) de todo o país.

[13]. Fomentar políticas de estabelecimento de áreas de acampamento dotadas de infra-estrutura e condições necessárias para as comunidades ciganas nômades no Brasil.

[14]. Garantir às barracas ciganas (Tcherias) o mesmo direito de inviolabilidade estabelecido pela Constituição Federal de 1988 às casas residenciais.

[15]. Incluir a Etnia cigana em toda e qualquer campanha de saúde, educação, solidariedade, fraternidade e respeito à diversidade.

[16]. Estimular que estados e municípios instituam o ―Cartão Educação, documento para viabilizar a matrícula de crianças e adolescentes ciganas, com celeridade, nas redes públicas estaduais e municipais, sempre que chegarem com suas famílias a uma nova cidade, sob pena de cominações civis e criminais do diretor da instituição de ensino que descumprir tal determinação.

[17]. Elaborar programas de atendimento social à população cigana e outros grupos nômades, que compreendam orientação e assistência gratuita na área jurídica, psicológica e social, facilitando o registro de nascimento e demais documentações legais.

Tema 9. Mulher Cigana.
[18]. Fornecer incentivos à comunidade cigana para permitir às mulheres ciganas terem os mesmos direitos de alfabetização, cultura e educação dos ciganos.


Tema 10. Religiões de matriz cigana.
[19]. Garantir um espaço para o direito da expressão religiosa cigana.

Outros textos para pesquisa:

http://www.dhnet.org.br/direitos/sos/ciganos/index.html

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São nos passos da dança e da vida que descobrimos o significado de ser cigana, neste espaço compartilho um pouco da caminhada do meu povo, da sua arte e força que faz seguir em frente sempre...